Adélia Vargas “O antes e o depois, a minha vida”

2010-09-07 14:33

Adélia Guerreiro Vargas pertence à igreja em Odemira. Este mês conhecemos o seu testemunho. De uma vida deprimida para um novo começo. (N. da R.)

Desde criança que sofro de muitas doenças. Recordo que, quando era ainda criança, a minha avó levava-me ao médico. Fui crescendo, mas sentia-me inferior às outras raparigas. Olhava para elas e pensava: “porque é que eu não sou assim como elas?”

Depois, já crescida, conheci o meu marido. Decidimos viver juntos, mas eu não era feliz. Ao fim de quatro anos comecei a sentir-me triste e a culpar-me. Não falava do assunto com ninguém e a angústia foi aumentando cada vez mais. Quando estava sozinha pensava: “o que faço da minha vida”.

Quando as pessoas descobriram o que se passava, porque me viam chorar, começaram a aparecer soluções. Ir à bruxa, ainda fui a algumas, mas de nada serviu. Fui a médicos especializados em pessoas com depressões, tomei comprimidos. Mas a solução não vinha, embora melhorasse. Voltava tudo ao mesmo.

A minha tristeza era imensa, era uma angústia. Eu vivi mais de 20 anos assim, perdi metade da minha vida.

Não trabalhava, os meus filhos eram pequenos, eu nem era boa mãe. Uma vez fui trabalhar para a fábrica onde o meu marido trabalhava. Estive apenas um mês e três dias, porque ao terceiro dia de lá trabalhar eu só pensava: “eu não posso estar aqui o resto da minha vida, eu não gosto disto”. E comecei a sentir-me mal. No fim do mês era para assinar contrato, mas não fui capaz de o fazer.

Um dia alguém me disse que havia uma igreja que mudava a vida das pessoas. E eu fui, sem saber o que era, não fazia ideia o que ia acontecer. E aí falaram-me de um Jesus que mudava a nossa vida. Fiquei a saber que alguém tinha morrido por mim para que eu não sofresse.

Ele foi me mudando aos poucos. Passei a gostar da vida e a achar que não era menos que as outras pessoas. Um dia fui ao médico para fazer mais uns exames e decidi que depois ia passar na igreja. Quando lá cheguei, estava apenas o Pastor que, de pronto, veio ao meu encontro: “Deseja alguma coisa?”. Sem ter a intenção de falar com alguém, foi ali que abri o meu coração e contei acerca da minha vida. Ele fez uma oração por mim e voltei para casa.

No dia seguinte acordei diferente. Todo o processo até então, mudou em mim a forma de ver as coisas. Levantei-me com vontade de fazer os meus deveres em casa, sem tristeza, sem angústia, sem chorar. Tudo mudou. As coisas foram acontecendo devagar, e hoje eu tenho um trabalho do qual até gosto, pois era isto que eu queria fazer.

 

Adélia Guerreiro Vargas

Odemira

 

Novas de Alegria, Setembro 2009