Insatisfação global - A dependência do materialismo - Parte 1

2010-07-26 11:03

Vivemos hoje numa realidade de aceitação geral do Evangelho, da Palavra de Deus. No entanto, no momento em que este se torna pessoal, em que alguém é chamado a tomar uma decisão individual, começa a objecção. Porque será?

 

O Evangelho tem como propósito trazer a verdade até nós e produzir em nós convicções reais. Hoje afirma-se uma coisa e vive-se outra, mas o Evangelho produz coerência de vida. Neste aspecto concreto bem real nos nossos dias, foi referido na Bíblia por Isaías há cerca de 2700 anos. Seis aspectos são apontados por Isaías em forma de ais.1“Ai daqueles” Isaías afirma que são culpados dessas atitudes erradas, que justificam o veredicto geral da ira e condenação.

 

Materialismo – hoje como ontem

O primeiro aspecto abordado é o materialismo. Naquele tempo tratava-se duma questão de casas e campos. Israel era, acima de tudo, uma sociedade agrícola. No entanto, o princípio mantém-se. O nosso estilo mudou, aquilo a que damos valor não é exactamente aquilo a que os habitantes de Jerusalém davam. Hoje pensamos mais em dinheiro e naquilo que ele pode comprar.

O afastamento do homem em relação a Deus empurra-o para uma vida materialista. Os seus interesses são, principalmente e acima de tudo, bens materiais. Exemplo dessa realidade é o facto de todos promoverem o materialismo. Os políticos encorajam o consumismo, prometendo isto e aquilo. Os média, igualmente. O mundo inteiro está “pregando” o materialismo, porque deixou Deus.

O materialismo diz que tudo quanto interessa é o aqui e o agora, mas isso é reflexo da ausência de esperança desta corrente de pensamento.

 

Implicações do materialismo

Em primeiro lugar, a vida é reduzida ou identificada com aquilo que se possui. Ser bem sucedido é possuir mais e mais. O próprio Jesus alertou para a insatisfação dos bens materiais, no evangelho segundo Lucas, capítulo 12.

Outro aspecto prende-se com o valor do ser humano. A vida de uma pessoa, o ser e a existência, são resumidos às coisas que podem ser compradas com dinheiro! No campo da bioética, o problema da discussão entre o que é aceitável e o que não é, reside no abandono dos aspectos morais para abraçar uma visão economicista.

Jesus afirma que o problema não é possuir coisas, o problema está quando não conseguimos passar sem elas, quando o possuir se torna senhor ou denominador da nossa vontade tornamo-nos escravos.2 Deste modo ser humano é reduzido a um mero servidor das coisas. 3

Ainda verificamos que o materialismo leva à cobiça. Nas palavras do profeta Isaías é enfatizada esta realidade, “Ai daqueles que acrescentam casa a casa, campo a campo, até que não haja mais lugar e eles sejam os únicos no meio da terra” (Isaías 5:8 – versão ARA). Neste caminho não há nada que satisfaça a pessoa, pois é o desejo de possuir mais e possuir o que os outros têm. Um apetite desordenado que comanda a vida.

O passo seguinte é o egoísmo. Até que eles sejam os únicos no meio da terra”.4 “Eu comprei tudo, possuo todas as coisas”. Não vê mais ninguém, ninguém tem mais valor para eles além de “eu” mesmo!

No primeiro livro dos Reis, capítulo vinte e um, é narrada uma história que tipifica esta verdade. O mesmo principio passa-se entre colegas da escola, nos empregos, transito, etc. Não pensamos mais no todo, ou nos outros, mas somente no eu. Tudo quanto importa sou eu. Este é o espírito que existe nos trabalhadores e entre os patrões, por exemplo.

 

Alexandre Samuel Lopes

Pastor Evangélico - Lisboa

 

1 Isaías 5:8-10; 2 Lucas 12:34; 3 Lucas 12:23; 4 Isaías 5:8 – versão ARA

 

Excerto de artigo publicado na revista Novas de Alegria, Setembro 2008